O ano de 2022 foi um bom ano para o automobilismo brasileiro. Mesmo que o país não tenha um representante no grid da Fórmula 1 em 2023, parece que isso não está muito longe de acontecer nos próximos anos, talvez até mesmo em 2024.
Felipe Drugovich e Enzo Fittipaldi se destacaram bastante na Fórmula 2 nesta temporada. Enquanto que o primeiro se tornou campeão de maneira antecipada e mostrando um excelente desempenho, o segundo também chamou muito a atenção de todos por ter conseguido bons resultados em um carro que está longe de ser um dos melhores da categoria. Qual a chance de vermos qualquer um dos dois no grid da Fórmula 1 nos próximos anos?
O ano de 2022 foi muito bem-sucedido para Felipe Drugovich. O piloto brasileiro se tornou campeão da Fórmula 2 com uma vantagem de 101 pontos em relação ao segundo colocado, Theo Pourchaire, além de ficar na frente de outros nomes bem conhecidos também como Liam Lawson e Logan Sargeant, que estará na Williams em 2023.
O bom desempenho de Drugovich chamou a atenção de todos, principalmente da Aston Martin. Em 2023, o brasileiro será piloto de testes e o primeiro membro do Programa de Jovens Pilotos da equipe britânica. Para a próxima temporada, a Aston Martin vai ter Fernando Alonso – contratado para substituir o aposentado Vettel – e Lance Stroll como dupla de pilotos e, além de Drugovich, Stoffel Vandoorne também será piloto de testes da equipe, embora isso não interfira muito no futuro do brasileiro.
Considero que as chances de Felipe Drugovich de chegar na Fórmula 1 (como titular) são um pouco mais complicadas do que as de Enzo (que falaremos em seguida). Por quê? Vamos considerar que Fernando Alonso fique mais dois anos na categoria; logo, se pensarmos assim, Drugovich não teria uma chance como titular na equipe durante esses anos, já que Lance Stroll não parece ter a menor chance de perder a sua posição dentro da Aston Martin. Claro, precisamos esperar para ver como será o relacionamento entre Alonso e Stroll, já que muitas coisas podem acontecer, mas vamos considerar a “linha lógica” do raciocínio.
Considerando que Alonso se aposente da Fórmula 1 após mais duas temporadas, Drugovich tem grandes chances de assumir o lugar do espanhol e fazer dupla com Stroll. Para isso, é extremamente importante que o brasileiro mostre o seu valor para a equipe durante o tempo em que for piloto de testes – ele precisa ser rápido e mostrar que pode ajudar a equipe no simulador e no desenvolvimento do carro. Apesar de Lawrence Stroll ter sempre optado por pilotos mais experientes nos últimos anos (Vettel e Alonso), é totalmente possível que o dono da equipe opte por colocar Drugovich ao lado de seu filho, considerando que Lance já vai ser muito mais experiente e visto como líder da equipe ao lado de um novato.
Se considerarmos essa sequência de acontecimentos dentro da Aston Martin, é provável que Drugovich tenha uma chance como titular na equipe somente em 2025. Claro que outras coisas podem acontecer, como por exemplo, há a possibilidade de que assentos fiquem disponíveis em outras equipes em 2024, e alguma dessas equipes opte por contratar o brasileiro – sabemos que na Fórmula 1 tudo é possível.
A situação de Enzo Fittipaldi parece ser um pouco mais “fácil”. Se analisarmos todas as circunstâncias, podemos dizer que o brasileiro fez uma excelente temporada na Fórmula 2. Enzo terminou o campeonato na oitava posição com 126 pontos. Parece ruim, mas não é, se considerarmos que ele tinha um dos carros mais fracos do grid. Para você ter uma ideia, a Charouz somou 130 pontos no campeonato, ou seja, o brasileiro foi o responsável por quase 100% da pontuação da equipe.
Todo o talento do neto do bicampeão mundial, Emerson Fittipaldi, foi notado por ninguém menos do que Helmut Marko. A Red Bull anunciou durante o fim de semana do Grande Prêmio do Brasil que Enzo havia se tornado o mais novo membro da Academia de Jovens Pilotos da equipe austríaca. Essa notícia trouxe muita esperança para os brasileiros, pois sob as asas da Red Bull um caminho interessante se abre diante do piloto.
Em 2023, Fittipaldi vai correr novamente na Fórmula 2, mas, desta vez, pela equipe da Carlin – uma das melhores do grid, o que vai dar ao brasileiro a chance de disputar o título da categoria. Se Enzo vencer o campeonato da Fórmula 2 em 2023, há uma grande chance de ele aparecer no grid da Fórmula 1 em 2024 – neste caso, não seria na Red Bull, mas sim na AlphaTauri.
Todos sabemos que a Red Bull está sofrendo com uma certa falta de talento dos pilotos que são membro de sua Academia. Por exemplo: após a saída de Gasly para a Alpine, a Red Bull teve que ir atrás de De Vries para ocupar a vaga deixada pelo francês. O holandês, que estava na Mercedes e nunca nem fez parte do Programa da Red Bull, está chegando na AlphaTauri para fazer dupla com Tsunoda, e seu contrato é de apenas um ano. Do outro lado da garagem, Tsunoda é um piloto com altos e baixos e que, na verdade, nunca convenceu. O piloto japonês tem o patrocínio da Honda, o que pesa muito a seu favor, mas que não garante a sua continuidade na equipe caso ele não tenha resultados melhores em 2023. Assim como De Vries, o contrato de Tsunoda só é válido até o fim da próxima temporada, ou seja, teoricamente duas vagas ficariam disponíveis na AlphaTauri para a temporada de 2024.
Sendo assim, é extremamente importante que Enzo conquiste bons resultados em 2023, o que aumentaria em muito as suas chances de assumir uma das vagas na equipe irmã da Red Bull. Além do brasileiro, há outros pilotos da Red Bull que estão de olho em uma vaga na Fórmula 1, sendo o principal deles Liam Lawson. Ainda não sabemos muito sobre o acordo envolvendo Ricciardo e a equipe, para sabermos se o piloto estará envolvido apenas nos compromissos de marketing ou se lhe foi prometido alguma posição no grid em 2024 – o que não parece ser o caso, pois o próprio Christian Horner já negou essa possibilidade.
Como um dos países mais vitoriosos da história da Fórmula 1, seria muito bom vermos um piloto brasileiro no grid mais uma vez. O último a correr na categoria foi Felipe Massa em 2017. Apesar de muita coisa na Fórmula 1 mudar rapidamente e não ser como nós pensamos, parece muito provável que teremos Enzo Fittipaldi e Felipe Drugovich na categoria nos próximos anos.