Após anunciar saída da Fórmula 1, a Honda desistiu da ideia e pretende seguir na categoria sob o novo regulamento de motores que passa a vigorar a partir de 2026. O GPBlog analisa as opções da montadora japonesa para permanecer na categoria.
Na terça-feira (13), foi divulgada a informação que a Honda registrou o interesse de ser fabricante de motores na Fórmula 1 em 2026. A notícia confirma algo que já se especulava há algum tempo: a montadora japonesa desistiu dos planos de abandonar a categoria e deseja seguir atuando quando o novo regulamento entrar em vigência.
Apesar disso, os nipônicos poderão enfrentar dificuldades, já que a Red Bull não abre mão de construir seus próprios motores e não deseja mais ter uma parceira técnica que assuma a produção. Dessa forma, a Honda já estaria buscando outras oportunidades dentro da F1. Mas quais equipes estariam disponíveis para afiliar-se à marca? E qual apresentaria a melhor alternativa para um futuro competitivo?
A equipe B da Red Bull já competiu com motores diferentes do time principal em mais de uma oportunidade. Porém, com o desejo da marca de energéticos em construir sua própria unidade de potência, parece improvável que ela abra mão de ter seu segundo time utilizando o componente e ajudando no seu desenvolvimento.
A solução para a Honda poderia ser a compra da AlphaTauri, se aproveitando do mau momento do programa de jovens pilotos da Red Bull, que vem tendo dificuldades de lançar novos nomes na categoria. Entretanto, operar uma equipe de fábrica necessitaria de um investimento muito maior do que apenas fornecer motores e, até o momento, não houve nenhum indicativo que a Honda pretende seguir este caminho.
Uma alternativa altamente improvável, considerando a forma como a parceria terminou em 2017, mas que poderia ser a melhor para todos os envolvidos.
A McLaren (pressionada por Fernando Alonso) não teve paciência para esperar a Honda acertar a mão em seus motores híbridos e trocou a montadora pela Renault - e, posteriormente, pela Mercedes. Apesar de ter conseguido uma evolução pelo simples fato de não sofrer mais com tantas quebras, nunca conseguiu dar o salto que desejava para voltar a brigar por vitórias regularmente e títulos. De quebra, viu os japoneses chegarem ao topo e sagrarem-se campeões com a Red Bull. Parece que, no final das contas, Ron Dennis tinha razão: na F1 atual, seria praticamente impossível voltar a brigar pelo título sem ser uma equipe de fábrica.
Para a Honda, seria difícil esquecer todas as criticas recebidas pela equipe e por Alonso no passado, mas reeditar a colaboração seria a melhor opção para não se destanciar tanto do pelotão frontal. Todas as equipes melhores colocadas que a McLaren em 2022 produzem seus próprios motores e as equipes de trás ou já possuem outros acordos (Sauber/Audi, por exemplo) ou precisam de um processo muito mais longo para brigarem pelas primeiras posições.
Depois da McLaren, pode ser a opção mais interessante da Honda. Após ser adquirida por Lawrence Stroll, a Aston Martin vem fazendo altos investimentos para se tornar competitiva na Fórmula 1. Uma nova fábrica está sendo construída em Silverstone, com mais de 37.000 metros quadrados, e será uma das mais modernas da categoria. A Aston Martin certamente seria capaz de produzir seus próprios motores, como faz em campeonatos como Mundial de Endurance e IMSA SportsCar Championship, mas até o momento não deu nenhum sinal de que fará esse investimento em um futuro próximo.
O único empecilho pode ser a ligação com a Mercedes, que vai além da F1. A montadora alemã equipa os carros de luxo da marca britânica com seus motores desde 2018 e é uma das acionistas da Aston Martin, com 9,7% das ações. Além disso, a equipe acaba de contratar Fernando Alonso, desafeto da Honda pelos motivos explicados anteriormente. Seria necessária uma reconciliação entre as duas partes.
As outras opções reais seriam Williams e Haas. Apesar de utilizar motores da Ferrari desde que entrou na Fórmula 1, uma troca de fornecedora não foi descartada pelo chefe da Haas, Günther Steiner, em entrevista ao Mirror em outubro deste ano. Já a Williams possui contrato com a Mercedes, mas poderia buscar novos caminhos no futuro. A equipe de Grove chegou a ser apontada pelo jornalista holandês Jack Plooij, da Ziggo Sport, como alternativa da Porsche após a negociação com a Red Bull fracassar, mas não houve nenhuma confirmação até o momento.
Apesar de não possuírem nenhum vínculo insubstituível para 2026, as duas equipes representariam um grande desafio para a Honda obter sucesso na F1, já que ambas ficaram entre as três piores colocadas no Mundial de Construtores nos últimos quatro anos e possuem histórico recente de dificuldades financeiras.
A última alternativa da Honda seria se unir a uma nova equipe para pleitear um 11° lugar no grid. A Andretti vem insistindo no desejo de entrar na categoria nos últimos meses e, inclusive, começou a construir uma nova sede, de onde operaria o time da F1. Além dos americanos, o bilionário Calvin Lo, de Hong Kong, revelou que também pretende criar sua equipe para entrar na F1. Michael Andretti vem enfrentando muita resistência das equipes atuais para expandir o grid e Lo deve encarar o mesmo cenário, mas um acordo para se tornar a equipe de fábrica da Honda poderia fortalecer qualquer uma das duas candidaturas.