GPblog faz entrevista exclusiva com Gabriel Bortoleto

15:34, May May 2023
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Gabriel Bortoleto vem chamando a atenção dos brasileiros e despertando o interesse do público em acompanhar o campeonato da F3 depois de seu excelente início de temporada. Bortoleto está fazendo o seu primeiro ano na categoria, e está liderando o campeonato com 57 pontos.

A temporada da F3 teve somente duas corridas até agora de um total de dez. O grande nome até o momento é o do brasileiro Gabriel Bortoleto, que tanto no Bahrein como na Austrália conseguiu conquistar a vitória na corrida principal. A próxima corrida será em Ímola, no mesmo fim de semana da Fórmula 1, entre os dias 19 e 21 de maio.

Em uma entrevista para o GPblog, Gabriel falou um pouco sobre o início da carreira, a sua relação com Fernando Alonso e, claro, dos resultados alcançados até aqui na Fórmula 3.

Entrevista

Você começou no kart em 2011, quando tinha apenas 7 anos de idade, disputando o Campeonato Sul-Brasileiro. Como foi o início de sua carreira? Quando foi que surgiu o seu interesse em competir e quem foi o seu principal incentivador? Tem alguém na sua família que também competiu no passado e que serviu de inspiração para você?

Quando comecei nas corridas não havia treinado muito, tinha pilotado poucas vezes um kart, na maioria das vezes kart indoor. Me adaptei rapidamente a categoria que pilotava na época, sempre que podia treinar eu estava na pista seja na chuva ou no sol. Meu irmão começou antes de mim, e eu ia assistir as corridas de kart dele, e sempre me dava muita vontade de pilotar quando o via na pista.

Você competiu no kart até 2019, onde conquistou excelentes resultados nos campeonatos Europeu e Mundial, e também foi vice-campeão do WSK Super Master Series e no Troféu Andrea Margutti. Em 2020, você fez a sua estreia no automobilismo na Fórmula 4 italiana. Como foi essa transição do kart para os monopostos?

Acredito que tive uma transição boa, talvez não o resultado que eu esperava, mas aprendi bastante.

Em 2021 você disputou a FRECA e em 2022 você fez 6 corridas pela Fórmula Regional Asiática. De que maneira esses anos (2020, 2021 e 2022) lhe ajudaram a se preparar para uma eventual chegada à Fórmula 3?

Eu diria que todos os anos aprendi bastante, as pistas que estamos pilotando neste ano, já estive no passado na F4 e FRECA. Aprendi bastante tecnicamente falando em 2022, e acho que tudo isso me ajudou a chegar mais preparado na F3.

Em setembro de 2022, você participou dos testes de pós-temporada da Fórmula 3 com a Trident Racing, equipe pela qual pouco tempo depois você foi anunciado como piloto para a temporada de 2023. Como que aconteceu o primeiro contato com a equipe italiana? Havia outras equipes interessadas em te contratar?

O contato veio pela A14, grupo que gerencia a minha carreira, sinceramente quando soube que havia uma possibilidade de correr pela Trident, chegamos a um acordo e fechamos um contrato.

No mesmo mês, você foi anunciado como o mais novo membro da equipe de gestão de Fernando Alonso, a ‘A14 Management’. Poderia nos contar um pouco como essas conversas aconteceram? Foi o próprio Alonso que inicialmente entrou em contato com você, ou foi o Albert e o Alberto (cofundadores junto com Alonso)?

Tudo começou entre uma converse de meu pai com o Albert, um amigo em comum os apresentou. Sinceramente, não sei a fundo a conversa, mas acredito que do lado da A14 havia um interesse em me ter no time, e do meu lado mais ainda, pois quando fiquei sabendo das pessoas que estavam por traz da A14, quis fazer parte na hora.

Falando um pouco mais sobre o Alonso, como é a sua relação com ele? Vocês se falam com frequência? Ele costuma dar algumas dicas? Ele é uma pessoa fácil de lidar ou é linha dura?

Acredito que nossa relação seja muito positiva, nos falamos todos os finais de semana de corrida, antes e depois também. Sempre peço dicas a ele, onde sinto que preciso melhorar e posso aprender com ele. Ele é uma pessoa que exige que você de o seu melhor, pelo menos assim que me sinto, isso me ajuda a sempre tentar extrair o máximo que posso de mim e do carro.

Após conquistar duas vitórias nas primeiras duas corridas da temporada, você é o atual líder da Fórmula 3 com 58 pontos. Claro que você estava confiante de que poderia conseguir bons resultados antes do início do campeonato, mas, sinceramente, você esperava um começo tão promissor?

Eu me dediquei muito, passei 90% do começo do ano na equipe, no simulador e aprendendo o máximo que podia sobre este carro. Após os treinos do ano passado e do Bahrein antes da corrida, sabia que seriamos competitivos, mas sinceramente acho que seria difícil imaginar ganhar as duas primeiras corridas do ano.

A última corrida na Austrália foi a primeira vez que a Fórmula 3 correu no país. Com uma pole e uma vitória na corrida principal, você parecia estar em casa no circuito de Albert Park. Quais são os principais desafios da pista e o que te fez ser tão competitivo lá?

A pista é praticamente uma pista de rua misturando com uma pista de alta velocidade, acredito que fiz muitas horas no simulador antes de ir para a pista, e óbvio, quando cheguei lá, consegui também me adaptar rapidamente ao circuito, estava bem confiante e acredito que isso me tornou competitivo.

A próxima corrida será em Ímola, circuito onde você correu no ano passado pela FRECA e conseguiu um bom resultado. Como estão as suas expectativas para a corrida este ano e quais as dificuldades você espera encontrar por lá?

Ímola é uma pista bem técnica, sem muita margem para erros, estou confiante para a corrida, e trabalhando cada vez mais para chegar pronto para o final de semana de corrida.

Desde a criação da FIA Fórmula 3, apenas Oscar Piastri foi campeão em seu primeiro ano. Qual é a chave para manter o embalo deste início e brigar pelo título sendo novato na categoria? E quais são as maiores dificuldades?

Eu não sei o segredo para manter os resultados assim, a única coisa que posso fazer agora é me dedicar cada vez mais, para manter os resultados a altura deste começo de temporada. Acredito que as dificuldades de ser um novato são as pistas que não pilotamos antes.

Nos últimos anos, estamos vendo mais pilotos brasileiros batendo à porta da Fórmula 1. Além disso, vemos sinais animadores no Brasil, como a criação da Fórmula 4 e um aumento da atenção de potenciais patrocinadores. Você acredita que o cenário será mais animador para os jovens pilotos brasileiros nos próximos anos? Acha que em breve teremos uma situação mais propícia para que os brasileiros consigam buscar esse sonho da F1?

Acredito que a F4 Brasileira é uma das melhores coisas que aconteceu no Brasil nos últimos anos. Para os pilotos jovens do Brasil poderem competir com o carro da F4 que pilotamos na Europa por um preço bem abaixo do que cobram na Europa é uma vantagem incrível. Podem competir na Europa e chegar muito mais preparados. Acredito e espero ver mais pilotos brasileiros nas categorias de base da F1.

Gabriel, para finalizarmos, gostaríamos muito de agradecer mais uma vez, e queremos pedir para que você deixe uma mensagem para todos os brasileiros que estão torcendo por você e pelo seu sucesso no automobilismo.

Quero agradecer a cada um pelo apoio que venho recebendo, isso com certeza me ajuda muito, e fico honrado de poder levar nossa bandeira para o lugar mais alto do pódio! Conto com o apoio de todos! Muito obrigado.

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